terça-feira, 21 de junho de 2016

Ritmia

Não quero me esconder, não preciso de proteção de ninguém, menos ainda da sua, que não sabe saber nem o que quer. Eu sei que você quer fugir de tudo, sei que não quer aceitar o que vem pela frente, sei que insiste em permanecer nesse mesmo lugar onde tudo é igual e sem consequências, sei também que a imutabilidade te cansa e você está sempre enjoado. "Enjoei de você"; porque voltou agora? Porque insiste em manchar ainda mais as surradas roupas do meu coração, que é tão vagabundo? Não queira o afago onde ainda existem os restos do escarro. Todo o lugar agora é uma sala imunda e profana, o cúmulo dos passatempos, onde ninguém pede nada, apenas o que existe espontaneamente pode ser dado, apenas as mãos falam, breu e silencio total, não deixe seus malditos olhos iluminarem nada. Hipnose. Calmaria. Game Over.


domingo, 22 de maio de 2016

Dele que não volta mais

Hoje olho pra trás, faz quase um ano que você se se foi e eu não sei se o que tenho aqui ainda é amor ou é medo de não mais amar. De tudo o que já tive, de todos os que por esse meu coração já passaram, você com certeza deixou as maiores e melhores marcas. De todo o bem que já me fizeram, você foi e fez o bem maior, a certeza do cuidado, a leveza da admiração, a doçura do seu amor que eu fiz mudar, fiz crescer e depois vi murchar ao sabor das coisas que eu não podia mudar ou sequer podia querer mudar por você. De todo o mal, sua ausência que ecoa em cada riso meu m
e parece ser a pior ferida. Então eu simplesmente não sei o que fazer. Que você se foi, é fato; se despediu de uma vez por todas dizendo que devia respeitar um outro alguém. E eu? Eu fiquei. Fiquei morando nas risadas que você deixou, no mundo que você criou em meio ao caos daquele meu momento, nos braços nos quais tantas vezes me tomou, nos beijos aos poucos moldamos um para o outro, nos filmes que me mostrou, no esforço pra aceitar e amar o pedaço de mim que não era seu, no conforto de ser simplesmente eu e saber que só e simplesmente você sabia e podia conter o todo meu. Fiquei morando aqui e é tão bom saber que você existe e tem esse pedaço que sempre vai ser só meu. Mas então abro os olhos e vejo que fiquei sozinha, que tudo mudou e que eu sequer sei onde você está. Então eu decido que preciso me mudar, olho pelas janelas, vejo as pessoas, ensaio o passo, mas tenho medo. Tenho medo da verdade de que ninguém jamais será você. Tenho medo de aceitar que outro alguém pode ser bom, ainda que não seja igual a você. Tenho medo de sair dessa casa de lembranças onde vivo e não conseguir mais voltar. Medo de me desesperar e não mais achar o seu conforto, ainda que seja um conforto antigo que sobrevive apenas em mim. Me lembro então daquele dia da nossa infância, do balanço, dos trevos de quatro folhas, do menino de bochecha rosa que eu nem podia imaginar de que seria do tamanho desse amor. 



segunda-feira, 3 de março de 2014

domingo, 19 de janeiro de 2014

Sair às ruas tem sido um alívio e um estigma. Meu coração anda tão apertado que respirar o ar mais frio da noite é como soprar uma ferida que arde, a imensidão do céu me faz pensar que sou livre, mas quão livre pode ser aquele que ama? Ao mesmo tempo sou estigmata da procura, dos meus olhos que me traem estando sempre atentos à todas as esquinas onde você poderia estar, dos meus ouvidos que estão sempre atentos à qualquer barulho que poderia denunciar a sua chegada, da minha cabeça que sabe que eu não deveria me importar com nada disso e desse meu coração (apertado) que ainda bate, mesmo depois de ter apanhado tanto do seu ego. 


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Últimas palavras

Não dá pra se defender o tempo inteiro. Por mais que você não queira, o mundo vai te ferir e chega uma hora que nem uma muralha inteira de estratégias pra se defender e nunca se abalar vão resolver. Será que um dia você vai se permitir aprender? Você tem um jeito mórbido de preencher esse buraco que traz no peito, um jeito que machuca e decepciona as pessoas que estão por perto, você tem sido vil, não só com os outros, mas com você mesmo, com aquilo que você realmente é. Até quando vai ser assim? Até quando você vai se manter sempre ferindo primeiro pra não se sentir sequer ameaçado? Eu não tenho como negar o quanto estou saindo magoada desse barco (à deriva) no qual estivemos juntos, mas saiba que eu não voltarei nadando, nem morrerei afogada, a partir daqui eu sigo voando, pois eu me sinto leve em saber que eu tentei te mostrar as coisas que eu vi e que eu tentei dar uma coisa especial que surgiu em mim, que foi despertada pela pessoa que eu sei que mora ai dentro, em algum lugar. Eu não consegui, estou partindo e estas serão as minhas últimas palavras.


Texto de 13/01/14



Anas

As chuvas rápidas molham aos poucos o verão enquanto eu me perco nesse seu “não sei o que” que me faz insana. Anas... eram as tuas antigas garotas e eu não. Eu sou “ra”, BárbaRA, será que você nota a diferença? Será que você percebe que aqui em mim há mais do que eu mesma posso contar? Nada em mim é analógico. Eu tenho medo que você não entenda que eu te quero muito bem, sim, mais que bem, de um jeito sério. Why so serious? Você me diz. E eu digo que me sinto na obrigação de te mostrar que você não pode fazer comigo o que fez com todas as outras, com as Anas, aliás que se explodam as Anas, olha nos meus olhos e para de fingir que você não se abala. Eu sei que você se abala, eu sei que o mundo te fere e sei que você só quer se proteger. Mas olha pra mim, calma, eu posso ficar com você, mas fica comigo também. Não me deixa assim sozinha porque você me conhece, você sabe que eu vou ficar insuportavelmente chata tentando provar para o mundo que eu não ligo pra você. Mas eu ligo, eu nem sei por que, mas eu ligo. Aliás, talvez eu saiba, e você também. 

Texto de 07/01


Quanto tempo, eu!

Há muitos anos que não vinha até aqui, eu já não lembrava a senha, e visitar esse meu blog foi como ir a um lugar muito familiar, mas que você não visita há muito, muito tempo! Esse lugar familiar é o que eu era há mais ou menos três anos atras, é como reviver sentimentos que já se modificaram, ver pessoas que eu já não vejo, lembrar de amores que hoje já viraram saudade, angústias que já foram resolvidas, enfim, uma viagem a tudo o que se passava por minha cabeça e meu coração e que hoje foram substituídas por outras emoções. Mas eu estou bem certa que ainda preciso deste espaço, e por isso eu estou voltando. Sei que não posso mais escrever da mesma forma que escrevia, eu mudei e não sei ainda se foi pra melhor, mas aqui estou, é aqui que deixarei, mais uma vez, o que em mim se passa.