sábado, 23 de abril de 2011

Ainda sobre o tempo escrevo novas canções

A morte passeia flertando seus alvos. Não flertou a mim, mas deixou-me um único olhar que eu talvez não possa esquecer nunca mais. E agora é assim. Ando por aí e tudo me parece breve.
As pessoas que há tempos vivem perto de mim parecem-me vulneráveis e antigas como um filme que já passa há muito tempo, prestes a acabar. As novas pessoas, as novas experiências me parecem parte de um curto caminho traçado  de uma igualmente curta e desbotada vida que mesmo ainda sendo incrivelmente longa, parece-me pequena perto do que já passou, o passado parece-me bem maior agora.
Sinto-me uma pobre vítima do tempo que não parou.
Porque a maioria das pessoas se foram ou talvez estejam perto de ir e eu ainda estou aqui e estarei por muito tempo. Acho que estou me repetindo muito. O que eu realmente me pergunto é: Quem é que vai sobrar para mim? Sinto-me, ainda, muito velha aos dezessete anos, como se tudo e todos os melhores que passariam por mim já tivessem passado. Tudo o que tenho é o que posso me lembrar.
Continuar sendo o mesmo personagem quando todo o cenário e história ao redor vai se modificando. Será que isso é envelhecer? 

   

Um comentário:

Poetas Insanos disse...

O Tempo...
Esse é um amigo/inimigo íntimo.
Nos dá com uma mão, nos tira no dia seguinte, as vezes devolve, as vezes não.
Vejo o tempo como toda a vida em pequenos momentos, momentos de própria vida e de própria morte.
Porque ele nunca volta,
e com ele, vai junto muitas pessoas que amamos.
Belo texto, embora demonstre certa tristeza... Um abraço.