domingo, 22 de maio de 2016

Dele que não volta mais

Hoje olho pra trás, faz quase um ano que você se se foi e eu não sei se o que tenho aqui ainda é amor ou é medo de não mais amar. De tudo o que já tive, de todos os que por esse meu coração já passaram, você com certeza deixou as maiores e melhores marcas. De todo o bem que já me fizeram, você foi e fez o bem maior, a certeza do cuidado, a leveza da admiração, a doçura do seu amor que eu fiz mudar, fiz crescer e depois vi murchar ao sabor das coisas que eu não podia mudar ou sequer podia querer mudar por você. De todo o mal, sua ausência que ecoa em cada riso meu m
e parece ser a pior ferida. Então eu simplesmente não sei o que fazer. Que você se foi, é fato; se despediu de uma vez por todas dizendo que devia respeitar um outro alguém. E eu? Eu fiquei. Fiquei morando nas risadas que você deixou, no mundo que você criou em meio ao caos daquele meu momento, nos braços nos quais tantas vezes me tomou, nos beijos aos poucos moldamos um para o outro, nos filmes que me mostrou, no esforço pra aceitar e amar o pedaço de mim que não era seu, no conforto de ser simplesmente eu e saber que só e simplesmente você sabia e podia conter o todo meu. Fiquei morando aqui e é tão bom saber que você existe e tem esse pedaço que sempre vai ser só meu. Mas então abro os olhos e vejo que fiquei sozinha, que tudo mudou e que eu sequer sei onde você está. Então eu decido que preciso me mudar, olho pelas janelas, vejo as pessoas, ensaio o passo, mas tenho medo. Tenho medo da verdade de que ninguém jamais será você. Tenho medo de aceitar que outro alguém pode ser bom, ainda que não seja igual a você. Tenho medo de sair dessa casa de lembranças onde vivo e não conseguir mais voltar. Medo de me desesperar e não mais achar o seu conforto, ainda que seja um conforto antigo que sobrevive apenas em mim. Me lembro então daquele dia da nossa infância, do balanço, dos trevos de quatro folhas, do menino de bochecha rosa que eu nem podia imaginar de que seria do tamanho desse amor. 



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